terça-feira, 28 de agosto de 2012

Felícia


Não se traja sempre magnânima.
Roupas simples também a satisfazem.
Prestigia as grandes obras, os bravos feitos.
Mas prefere ser encontrada em um simples caminhar.
Andando descalça pelas campinas, no amanhecer;
Com o orvalho, seus dedos suaves à molhar.
Sempre requisitada, aclamada, louvada.
Mas, para ela, nada disso importa. 
Gosta mesmo de passear pela noite, incógnita.
Admira o cair das folhas, ama sussurrar palavras ao vento.
Recompensa, sim, o trabalho árduo. 
Mas repudia a ansiedade, o desespero.
Prefere se aproximar em silêncio, quando de ninguém é aguardada.
Seu poderio, é sobre todos soberano.
Pois foi nomeada, dentre todas existências, Princesa.
Ilude-se, quem a busca na pompa e na riqueza.
Ela se refestela mesmo é na nobreza.
Não na valorosa fortuna, mas na brandura.
Em corações alvos, estende sua mirada.
Com braços estendidos, ela dança, folhas a voar.
Fita ternamente, quem a encontra refletida, no lago de um olhar.
Sorrateira, ela aparece no rompante de um beijo.
Ela está no ardor de um lento desejo...
Mas foge repentina, se querem dela se apossar.
Pois só pode ser encontrada por quem ambição despreza.
Ela, em sua nudez é pureza, que não se pode profanar. 
É nas lágrimas de Tristão, seu inseparável amante,
Que as vezes ela se faz presente, em consolo.
Pois é bondosa, e preza braços de eterno conforto.

F.J.Guilger


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