Bem, aqui está a segunda parte do conto. Não leu a primeira? Pois não perca tempo, eis-la aqui: http://www.ponteparaterabyte.blogspot.com.br/2012/08/conto-i-o-fim-deste-capitulo-parte-1.html
O FIM DESTE CAPÍTULO
Apesar do convite, quando chegamos no meu apartamento, senti uma pontada de arrependimento, devido o estado do mesmo. Logo que abri a porta, Lemuel avançou serelepe para nós, pulando de alegria. Pelo que pude ver, isto também a animou. Normalmente, eu teria mandado ele parar, mas como eles haviam se dado tão bem, deixei-os ali. Como poderia fazer minimamente, pedi desculpas pela desordem. Enquanto me questionava no porquê dela ter aceito meu convite, pois, apesar de tê-lo feito de bom grado e com a mais digna das intenções, não deixava de ser incomum que uma pessoa aceitasse entrar na casa de um desconhecido.
Bem, logo as razões se veriam claras, mas por hora, permaneciam turvas. De certo que ela deveria alimentar temores, todavia, era eu que começava a ficar repleto de medos. Por fim, conformando-me de que estava a conjecturar ideias infundadas, tratei de preparar um café, enquanto oferecia condições para ela se limpar. Buscando iniciar uma conversa, para melhorar o clima do ambiente, perguntei-lhe porque batera em meu guarda-chuva, mas ela preferia não revelar, limitando-se a dizer que fora desatenciosa, apenas. Logo pude perceber que tentar desvendar que razões haviam-na posto em meu caminho, terminaria por ser uma busca infrutífera.
Algo a perturbava, aliás, posto que ela frequentemente olhava para a janela e o relógio. Lá fora, tudo se resumia a chuva e a escuridão que começava a tomar conta do céu. Eu mesmo começava a me questionar no que fazer com ela, já que preferia ficar quieta em meu sofá, brincando com o cachorro e se esquivando de toda indagação que eu pudesse fazer. Pensando bem, nada mais justo, mal nos conhecíamos. Contudo, sua postura era estranha, até mesmo para alguém que quisesse se preservar. Passado algum tempo, depois de tomarmos café, ela fez menção de partir, e eu não tentei impedi-la. No fim, apesar de toda a suspeita, ela pedira que eu acompanhasse-a até o ponto de táxi. O fiz de bom grado.
Na rua, ela parecia ainda mais aflita. Olhava de um lado a outro, preocupada. Em alguns instantes, ela já havia partido, e eu subia as escadas, meditando sobre todo o ocorrido.
Pensativo, percebi que no fim, esquecera de perguntar-lhe o nome. Mas lembrando agora de tudo, creio que ela não teria me dito a verdade... Provavelmente, mentiria.
Entro em casa, e Lemuel salta encima de mim, fazendo festa. Brinco um pouco com ele, e depois vou para minha escrivaninha, tentar escrever. Olho para minha máquina de escrever, por alguns minutos que parecem horas... Mas nada me vem. Nada além daqueles belos olhos. Olhos cor de mel, que pareciam com o âmbar. Como ela era misteriosa. Partira tão tempestiva como quando surgiu. Como um relâmpago, cujo brilho se desfaz antes que possamos ouvir o som de seu trovão.
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